Durante a mais recente deslocação a Bruxelas, César Araújo, Presidente da Direção da ANIVEC, esteve em entrevista para o Porto Canal no programa “Nós Europa”, numa conversa que contou igualmente com a participação do Eurodeputado Paulo Cunha.
O debate centrou-se nas crescentes dificuldades enfrentadas pelos setores do têxtil e do vestuário em Portugal, destacando-se a urgência de garantir um level playing field no mercado europeu.
Entre os temas abordados, destacaram-se a tão necessária reforma da política aduaneira europeia com a revisão dos mecanismos De Minimis e do SGP e a urgência de repensar o modelo de competitividade das indústrias europeias.
Segundo as previsões, 2025 poderá registar a entrada de cerca de 10 mil milhões de pacotes de baixo valor na União Europeia, um número que tem duplicado anualmente. Tal como alertou César Araújo, a indústria europeia, especialmente a da confeção, é a primeira a sofrer o impacto deste fenómeno.
“Esta é a maior fraude fiscal do século XXI na Europa.” E acontece todos os dias, diante dos nossos olhos.
As consequências são já visíveis: encerramento de empresas, dificuldade para novas marcas se estabelecerem e comprometimento das metas europeias para a economia circular, agravado pelo crescimento descontrolado da ultra fast fashion e pela ausência de mecanismos eficazes de controlo.
Instala-se, assim, um paradoxo: às empresas europeias é exigido cada vez mais com grupos de trabalho a discutirem regras para a economia circular, o passaporte digital e outras iniciativas; enquanto que a concorrência externa opera sem as mesmas obrigações.
A entrevista reforçou a necessidade urgente de políticas europeias mais justas, equilibradas e alinhadas com a valorização da indústria, condição essencial para garantir o futuro do setor e a reindustrialização do continente, bem como o alcance das metas firmadas para uma indústria verdadeiramente sustentável.







