31 Março, 2026

César Araújo em entrevista à RTP

RTP_CA

Milhares de encomendas chegam diariamente à Europa através de plataformas de ultra fast fashion, com entregas cada vez mais rápidas e preços cada vez mais baixos. Segundo César araújo, presidente da Direção da ANIVEC, esta dinâmica está a afetar transversalmente as indústrias da moda e o impacto sente-se diretamente dentro das fábricas, em particular no setor da confeção, com crescente pressão sobre a competitividade.

Em entrevista à RTP1, César Araújo, abordou os múltiplos fatores que estão a tornar esta realidade cada vez mais insustentável para a indústria do vestuário. A crescente exposição do mercado europeu à concorrência externa, combinada com a entrada massiva de produtos de baixo valor, está a criar um desequilíbrio profundo no mercado.

Na realidade, afirma estar perante três crimes de enorme dimensão. Em primeiro lugar, o crime fiscal, descrito como a maior fraude fiscal do século XXI. Milhões de encomendas entram diariamente no espaço europeu muitas vezes sem fatura comercial, subfaturadas ou sem controlo aduaneiro efetivo, gerando perdas de milhares de milhões em receita fiscal.

Em segundo lugar, um crime ambiental. Este modelo de ultra fast fashion alimenta um consumo altamente descartável, assente em produtos de baixo custo, sem rastreabilidade e produzidos sem garantias ambientais. Milhões de peças atravessam as fronteiras europeias sem qualquer controlo sobre a sua origem, composição ou destino final no fim do ciclo de vida.

Por fim, o crime da contrafação, que cresce de forma preocupante neste ecossistema digital. A propriedade intelectual das marcas europeias é constantemente violada, colocando em risco o investimento em criatividade, inovação e qualidade, impactando diretamente as empresas, o pequeno comércio com o desaparecimento das lojas de bairro e as próprias marcas.

Num contexto geopolítico instável e de pressão económica sobre os consumidores, as prioridades também mudam. Como refere, muitas famílias enfrentam hoje escolhas difíceis no seu orçamento, onde necessidades essenciais como a alimentação acabam por prevalecer sobre a aquisição de novos produtos de vestuário. O problema vai, no entanto, muito além da alteração nos padrões de consumo.

Num momento em que a Europa lidera a agenda global da sustentabilidade e da circularidade, torna-se cada vez mais urgente garantir regras equilibradas e um verdadeiro level playing field, assegurando que todos os produtos vendidos no mercado europeu cumprem os mesmos requisitos fiscais e ambientais.

Veja entrevista- RTP

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